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Foi na passada sexta-feira, dia 22 de Maio de 2009, lançada no Cinema São Jorge em Lisboa a Fotobiografia do cavaleiro António Palha Ribeiro Telles, que assinala os seus 25 anos de alternativa.
Estiveram presentes nesta cerimónia cerca de duas centenas de pessoas, que não quiseram perder a apresentação e dar um abraço ao cavaleiro.
A mesa de apresentação da Fotobiografia contou como oradores António Ribeiro Telles, o Presidente da Câmara Municipal de Coruche Dionísio Simão Mendes, o Dr. Joaquim Grave, Nuno Castelão e João Carrinho.
António Ribeiro Telles agradeceu a todos da seguinte forma:
Quero agradecer ao Senhor Presidente da Câmara de Coruche, o senhor Dionísio Mendes o apoio que deu a esta Fotobiografia.
Agradeço a todas as pessoas que cederam as suas fotografias.
Agradecer ao EGEAC, e a toda a equipa do Cinema São Jorge, na pessoa da Dra. Marina Uva, a cedência deste espaço e todo o apoio que fizeram o favor de nos dar.
Eu inicialmente não sabia que a fotobiografia ia ter alguns testemunhos, ouve alguém que me escondeu isso porque já sabia que eu não ia querer, porque não é muito do meu feitio, mas agradeço muito a quem os fez porque são do coração, à minha prima Maria Ribeiro Telles, ao João Moura, ao Pablo Hermoso de Mendonza, ao José Cid, ao senhor Presidente Dionísio Mendes e por fim ao Dr. Joaquim Grave. A todos muito obrigado.
Agradeço também a todas as pessoas que tiveram a paciência de vir até aqui para me dar um abraço. Em especial ao meu Pai; olhe Pai, esta fotobiografia também é sua e se ela tem alguma coisa que o pai não goste, peço-lhe desculpa.
Por ultimo, agradeço à Catarina, primeiro eu não queria nada disto e ela teve a arte de me convencer! Segundo, eu só pus os ferros nos toiros, foi ela que arregaçou as mangas e com muito trabalho e dedicação fez tudo!
Muito obrigado a todos
António Ribeiro Telles
Discurso do Dr. Joaquim Grave na tarde do Lançamento da Fotobiografia de António Ribeiro Telles:
"É para mim uma honra estar aqui e participar neste livro do António; por isso quero agradecer a todos os envolvidos, na pessoa da Catarina, terem-se lembrado de mim; como os espanhóis dizem, é um gustazo!
O livro que temos na frente é, de facto, uma fotobiografia muito bem conseguida. As fotografias foram bem escolhidas, falam de uma forma clara do que tem sido a vida do António. Já era tempo que um toureiro da dimensão do António publicasse o seu livro.
No princípio, podemos sentir as bases genéticas toureiras do António; sem dúvida, correm-lhe no sangue genes toureiros por todos os lados.
Adorei o episódio da sua infância em que se escondeu para não fazer anos, claro está, para não ir para a escola e ficar no meio dos cavalos e a brincar na Torrinha. Esperto!
Também me tocou particularmente o sentimento tão especial que o António nutre pela sua mãe e a sua extraordinária fé. Quanto à tua mãe, António, tens que acreditar que ela anda por aqui e estará muito contente contigo. Quanto à fé, olha só tenho é inveja, vê lá se tens alguma que me dispenses, que sorte!
Nos tempos de amador fiquei estupefacto, quando me apercebi que fiz parte do 1º cartel com o António em Salvaterra. Que grandes estrelas começaram nesse dia! Só que a luz de uma delas se apagou rapidamente ......
A descrição da alternativa é exuberante e sentida, assim como todos os momentos históricos passados nas arenas, sobretudo quando todos os toureiros da família actuaram no Campo Pequeno.
Não posso deixar de registar o testemunho da Maria Ribeiro Telles. Vale a pena ler, que maravilha, que sensibilidade, como se pode dizer tudo em meia dúzia de linhas!
António, sabes que houve um grande filósofo alemão (Nietzsche) que dividiu a arte em apolínea e dionisíaca. O apolíneo é o lógico; o dionisíaco é o mágico. Entretenho-me bastante a catalogar os toureiros nestas duas categorias, no fundo falamos de forma e conteúdo ou, se preferires, cabeça e coração por um lado e inteligência e sentimento por outro.
Confesso, sempre tive uma preferência pelos toureiros dionisíacos. Os menos atentos e numa apreciação ligeira, colocar-te-ão certamente como Apolo. Mas o que me fascina em ti é, precisamente, a admirável conjunção humana e divina do clássico e do romântico equilibrados.
Recuso-me determinantemente a aceitar-te como o toureiro clássico por antonomásia. Para mim, és muito mais do que isso! Nem a técnica, nem o ofício, têm porque excluir a arte e o sentimento.
E sabes porquê António?
Porque tu não toureias apenas, tu não fazes o toureio apenas. Tu dizes o toureio, sim não é o mesmo dizer o toureio do que fazê-lo. Há toureiros que fazem muito bem o toureio, mas não dizem o toureio; como entenderás, é preferível dizê-lo da forma apaixonada que tu o fazes, podendo até dares-te ao luxo de não o fazer bem alguma ou outra tarde.
Consigo descortinar como começas a desfrutar antes da consumação da sorte, como colocas a alma entre a cilha do teu cavalo e os cornos do toiro, para depois a esconderes outra vez no teu peito que alberga o teu enorme coração capaz da gesta mais heróica diante de um toiro, mas também onde podes guardar todo o teu mundo mágico, onde sobressaem a tua família e os teus amigos.
Só quando a cabeça e o coração, a inteligência e o sentimento se cruzam e misturam de um modo sólido, entranhável e radical, a faena tem isso que podemos chamar de uma sorte de eternidade. É isso que nós sentimos em ti. O toureio, como a poesia, disse um poeta, é comunicação, não é um monólogo do toureiro... e tu António tens sentimento e o sentimento é o que distingue, o que separa, os que são capazes de criar uma faena, dos que são meros interpretes. Em definitivo, o artista daquele que não é.
As profissões podem exercer-se com vocação, mas também sem ela. Lagartijo, um dia disse: «uns sabem o que fazem, e outros fazem o que sabem» Só os primeiros sabem tourear.
Não quero terminar sem vos relatar o último episódio que vivi com o António porque aconteceu há apenas 5 dias e que traduz o senhorio e categoria deste toureiro: ao dar comigo na trincheira da praça de Évora, logo após ter terminado a lide do toiro grave disse-me o António: Joaquim desculpa lá, não pude com ele, não fui capaz de lhe dar a volta, era bravo. O António tinha-se esvaziado na portentosa e fantástica lide do segundo toiro, acontece.
Oh António, como é que eu não te ia perdoar um toiro, se tu já me perdoaste de certeza sei lá quantos, daqueles mansos e perigosos a que deste a volta com ofício e torería de grande figura?
Sabes António, vou continuar a seguir-te porque, pelo que te conheço, a faena ideal ainda a procuras, mas essa só a vais assinar no fim da tua carreira, quando olhares para trás e sorrires e te deres conta que, afinal, a faena grandiosa e sonhada foi a entrega total tendo sempre por quadrilha, os profissionais dedicados que te seguiram e a tua mulher e os teus filhos, sem os quais não a terias conseguido.
Aí, verás a grandeza da vida e como a podes ter na palma da tua mão!
Bem hajas"
No passado Domingo, no programa da RTP1 "As escolhas de Marcelo", o Professor referiu a Fotobiografia, falando da seguinte forma: "António Ribeiro Telles (...) grande figura, um génio à sua maneira na tauromaquia".
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