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Consagração da carreira em mais de 20 anos

 

A consagração de uma carreira de mais de vinte anos de Cavaleiro Tauromáquico é, no caso de António Palha Ribeiro Telles, um percurso repleto de momentos bons e alguns menos bons. Todos são para recordar! Os primeiro pelo sabor a triunfo que têm. Os outros pela ganas que um toureiro tem de arranjar, à custa de muita aficion, para os “tragar” e continuar em frente, fazendo sempre melhor.

Durante estes vinte e três anos muito se escreveu sobre a forma de tourear de António Palha Ribeiro Telles, e muitos são os que acreditam na pureza e verdade da sua interpretação do toureio.

Fortes e sentidas são as palavras do anteriormente citado José Tello Barradas, quando, acerca da corrida de 21 de Julho de 1988, caracteriza o toureio de António: “Aquele enfrentar o toiro, bem metido na linha que na frontalidade liga os opositores, aquele esperar pelo inimigo como quem recebe uma visita de cerimónia em casa, depois a cravagem na vertical e com o toiro bem debaixo, e por ultimo o ficar com ele recreando-se na sorte, são atributos só possíveis aos eleitos como tu, meu caríssimo António! Toureaste como um consumado Mestre e o requinte da encenação tomava aspectos de magia, onde a classe dum grande toureiro deixava embriagados todos os aficionados que, em êxtase, não se cansavam de te aplaudir.”

Durante as Sanjoaninas de 1996 foi dito que “António Telles e o seu alazão escreveram uma página de toureio na Monumental Terceirense, que durante muito tempo, será recordada como uma faena cumbre!”

Nas páginas do Correio da Manhã, em Setembro de 1996, a propósito da IV Corrida com o seu nome, é possível ler: “António Telles assinou mais uma noite histórica numa temporada em que decerto já lhe pertence o título de triunfador. Em Lisboa foi a lição da verdadeira arte de Marialva com toiros a não ajudarem... Sem dúvidas foi provado que o toureio artista, frontal, cuidando distâncias e remates perfeitos, pertenceu a este cavaleiro de excepção.”

Ainda nas páginas deste jornal, alguns meses antes, aquando da 32ª Corrida TV, foi título “António “d’ouro” venceu Esporas de Prata”...”três compridos de praça a praça e, ao fim do segundo, já soava a música. Previa-se o triunfo que, de resto, aconteceu. Uma actuação que merecia uma saída em ombros!”

Em Agosto de 2003, após assistir à actuação de António na praça de toiros de Setúbal, o aficionado José Alegre escreve: “...nesta noite de Agosto já nos fins, encostado à trincheira da praça de toiros de Setúbal, está a figura imponente de David Ribeiro Telles, com o seu chapéu castiço, as suas suíças enormes a branquejar à luz eléctrica e uma expressão séria, triste talvez, mas emocionado com o que se passa na arena... Com o primeiro cavalo ruço tinha António feito uma lide eficiente, bonita e realista. Depois olhou para o director da corrida, tirou o tricórnio da cabeça (ele é dos poucos que ainda o usam) e pediu licença para trocar de cavalo. Foi então que entrou na arena, conjunto perfeito cavalo cavaleiro e começou a desbobinar todo aquele espectáculo de sonho.”

A revista Novo Burladero considerou António Palha Ribeiro Telles como o cavaleiro que mais se destacou em 2004: “A sua temporada de 2004 ficará marcada, para além dos triunfos alcançados, pelo ressurgir com muito mais assiduidade do seu toureio de verdade e maestria, possível quando a quadra o acompanha, e também pela esperança depositada entre os bons aficionados numa maior maturidade das suas montadas para 2005, ano em que está obrigado a confirmar a sua posição de referência do actual toureio a cavalo.”

É com uma enorme esperança no futuro que António Palha Ribeiro Telles assume que “Vinte e cinco anos de Alternativa, já não são dois dias, e continuar a despertar o interesse do público e dos empresários é bom sinal!

Mas para continuar mais anos, como eu pretendo, não se pode perder a afición nem a ambição, e sobretudo o espírito de sacrifício que esta carreira implica!”

 

João Carrinho