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REACÇÕES DO CAVALEIRO Á CORRIDA DE ONTEM

DECLARAÇÕES DO CAVALEIRO

A noite de 4 de Setembro de 2008, ficará para sempre na minha memória, por muitas razões, a primeira porque era a alternativa do meu sobrinho e afilhado João, a segunda por ver novamente o meu Pai a cavalo, e o público do Campo-Pequeno a tributar-lhe uma estrondosa ovação, é gratificante e muito bom, sentir que os aficionados respeitam e gostam muito do meu Pai, a terceira o facto de termos esgotado novamente a catedral do toureio a cavalo, Campo-Pequeno, e por fim, por ter corrido tão bem a todos nós! Não quero deixar de agradecer a todos os amigos que nesse dia tão especial, rezaram por nós e nos apoiaram, aos que cá já não estão, como a minha Mãe, o Bacatum e o Vilaverde, que tanto gostariam de viver esta noite connosco, mas que lá do Céu nos deram um apoio muito especial.

 

Obrigado Campo Pequeno! Obrigado Pai...que bom é ser seu filho!

 

António Ribeiro Telles

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Família Ribeiro Telles saiu em ombros do Campo Pequeno

056_08r5816.11.jpg(...) A corrida de alternativa de João Ribeiro Telles Jr., na quinta-feira à noite no Campo Pequeno, foi verdadeiramente apoteótica. A família Ribeiro Telles saiu em ombros no final duma corrida onde Mestre David Ribeiro Telles apadrinhou a alternativa do neto.
A monumental de Lisboa esgotou para ver a família Ribeiro Telles, encabeçada pelo patriarca, Mestre David, que aos 81 anos se apresentou a cavalo em praça, com uma postura irrepreensível na sela, como se de um jovem se tratasse, ao lado dos seus filhos João e António e dos netos Manuel e João Jr.

Pegaram os grupos de forcados amadores de Santarém e de Coruche e lidaram-se seis toiros da ganadaria Passanha, bem apresentados e colaborantes.
Mestre David recebeu das mãos do bandarilheiro António Telles Bastos, seu neto, o primeiro ferro da corrida que passou ao seu filho João Ribeiro Telles, para que este, formalmente, concedesse a alternativa a João Ribeiro Telles Jr, cerimónia que decorreu sob uma interminável ovação.

António Ribeiro Telles que recebeu o seu toiro em sorte à gaiola, levou a assistência ao rubro ao cravar o terceiro comprido, de poder-a-poder e, a partir daí, cravou uma série de cinco curtos com os quais construiu uma das suas melhores actuações desta temporada.
A lide do sexto começou a duo com António Ribeiro Telles e Manuel Ribeiro Telles Bastos, mas logo se converteu numa lide de "quarteto", com a entrada dos restantes dois cavaleiros em cena, resultando esta numa verdadeira apoteose pela coordenação de movimentos exibidos. (...)


In, www.omirante.pt, "Família Ribeiro Telles saiu em ombros do Campo Pequeno", acedido dia 7 de Setembro pelas 19h22m

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DECLARAÇÕES DO CAVALEIRO

Como foi uma noite muito especial, na minha vida, achei que a casaca que iria usar tinha de ter também um significado muito importante para mim, escolhi então esta casaca preta, que foi bordada pela minha Mãe. Acho que a escolha foi certa, pois embora sinta a presença da minha mãe todos os dias da minha vida, neste dia senti-a mais forte, acho que me ajudou bastante!

 

António Ribeiro Telles

 

 



"Campo Pequeno: Uma Família, Uma Casaca, Cinco Alternativas"

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(...) Depois de estreada por Mestre David Ribeiro Telles em 18 de Maio de 1958 nesta mesma praça, a casaca azul forte foi novamente vestida para ascensão de mais um membro da dinastia Ribeiro Telles à categoria de profissional de toureio equestre, desta feita o jovem João Ribeiro

Telles Jr a receber o ferro comprido com que havia de iniciara sua lide de alternativa das mãos de seu pai, depois de este ter passado pelas mãos de seu avô Mestre David e de seu primo António Telles Bastos que nesta data compôs a quadrilha do mais jovem e irreverente cavaleiro da Torrinha, uma corrida de lotação esgotada que contou com o testemunho de seu tio António e seu primo Manuel.

Apesar de ser noite de comemoração sobretudo para o mais jovem ginete da Torrinha, António Ribeiro Telles não deixou seus créditos por mãos alheias e desenvolveu uma lide de triunfo. Coloca desde cedo a fasquia bastante elevada com um bom comprido à porta gaiola, depois outro comprido à tira de boa nota, e um terceiro comprido simplesmente brilhante e que fez soar os acordes da Banda Coruchense, praticamente de praça a praça e dando primazia de investida ao toiro, reúne justo e ao estribo. Calhou-lhe em sorte o toiro de nome Desejado, de 578 kg, o que mais transmitia permitindo ao cavaleiro uma lide a gosto, como certamente desejava. Colocando-se de frente, entrando recto com o toiro, carregando a sorte, cravando de alto a baixo e ao estribo para depois rodar no piton rematando a sorte António mostrou como se toureia e como se triunfa. Quatro curtos de boa nota, adornado ainda com um recorte de bonito efeito, para terminar a lide com um ferro já em sorte sesgada. (...)


O Mais e o Menos
+ Mais uma vez o Campo Pequeno esgotado sob o nome da dinastia Ribeiro Telles;
Primeira lide de António Telles;
Regresso das transmissões tauromáquicas à antena da Rtp1:
- Nada a assinalar.

In, www.tauromania.pt, "Campo Pequeno: Uma Família, Uma Casaca, Cinco Alternativas", por Nuno Ramos, acedido dia 6 de Setembro de 2008 às 16h

 

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Todos em ombros na alternativa de T

Todos em ombros na alternativa de Telles Jr

Todos em ombros na alternativa de T

(...)À antiga! Foi assim a saída em ombros dos quatro cavaleiros da família Telles que ontem à noite actuaram na catedral do toureio a cavalo, onde ficou a dúvida nos critérios utilizados para abertura da tão polémica porta grande do Campo Pequeno. Os quatro Telles saíram sim em ombros pela porta de quadrilhas, carregados em ombros na noite mágica de 4 de Setembro de 2008, guardada para sempre nas nossas caixinhas das mais gratas recordações.

Ao terceiro comprido, música maestro! Começou assim a actuação de António Telles. Cravou o primeiro comprido em sorte de gaiola a que se seguiram mais dois de grande nível. Toda a sua restante prestação quase dispensaria palavras. Em sortes à tira e reuniões ajustadas, Mestre António deixou uma série de curtos de antologia. Deu volta apoteótica numa noite de tributo Grande ao clássico toureio.

 

Quando parecia já não haver surpresas, eis que os quatro cavaleiros surpreendem tudo e todos ao partilharem a lide do último toiro que caberia a António e Manuel Telles Bastos. Quatro cavaleiros em praça, quatro Homens, quatro Senhores do toureio! Depois dos bons ferros deixados por António e Bastos, João pai e filho entraram em praça e deixaram violinos, com ritmo e recortes toureiros. Que momento, que emoção...(...)

 

In, www.toureio.no.sapo.pt "Todos em ombros na alternativa de Telles Jr", por Solange Pinto, acedido dia 6 de Setembro às 15h14m

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"Noite de Glória dos Ribeiros Telles"

(...) A alternativa de João Ribeiro Telles Jr, provocou uma enchente de "no hay bilhetes" na praça da capital, e atraiu um público que é raro ver nas bancadas do Campo Pequeno, o que resta da selecta aficion portuguesa e que tão raramente se deixa ver por Lisboa.
Uma assistência que vibrou com a capacidade toureira dos Ribeiro Telles e os apoiou durante toda a noite.
Emocionante, comovedor, de nos pôr em sentido, a aparição toureirissíma do patriarca Mestre David, primeiro nas cortesias e depois apadrinhando o doutoramento concedido ao seu neto João pelo primogénito da prole da Torrinha.
Toureiro nos seus oitenta anos bem vividos, deu, com a sua presença, categoria ao evento ao mesmo tempo que sentiu o calor intenso dos milhares que, de pé, lhe tributaram os mais sentidos e quentes aplausos da noite. (...)
António abriu uma vez mais o compêndio e deu lição, como que a dizer à rapaziada que agora chega, que é ele, o Maestro, quem continua a mandar lá para as bandas da Torrinha. Os compridos, com o "Opium", foram emocionantes pela impetuosidade do toiro nas viagens em que teve prioridade de investida, vindo de largo, e depois com o "Santarém", com o toiro já parado, "pôs a carne no assador", entrando com descaramento nos terrenos do manso para reunir com verdade e emoção. (...)


In, Revista Novo Burladero, Edição Nº239, Setembro 2008 "Noite de Glória dos Ribeiro Telles ", por João Queiroz

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"DINASTIAS E CLÃS"


(...) Assim que cheguei à data de mais uma Tomada de Alternativa das muitas que, de resto, se têm realizado em Portugal.
Só que esta se revestia de um cariz muito peculiar. Era a Alternativa para Cavaleiro Tauromáquico de mais um membro do clã Ribeiro Telles.
Que me perdoem todas as outras famílias de Cavaleiros Tauromáquicos, que ultimamente se passou a designar por "Dinastias", mas esta família parece-me composta de "Centauros".
A começar por Mestre David (o primeiro que me foi dado a conhecer) até ao jovem João Ribeiro Telles Jr, todos conservam aquela pureza e aprumo de equitação, que faz deles um "clã".
Não só nos traços fisionómicos que os distinguem e os irmanam - o olhar límpido, o sorriso esboçado, o gesto senhorial, a figura esbelta - é, antes, qualquer outro factor anímico que faz deles um clã.(...)
(...) Mas no caso Ribeiro - Telles a passagem de testemunho é diferente.
Como que nascessem já predestinados para o Fatum de virem a ser Cavaleiros.
E, o facto que mais impressiona, é o fio condutor que os une entre si.
É uma explosão de sentidos, de movimentos sincronizados, de figuras equestres, correctas e belas como estatuas, em que cavaleiro e cavalo coexistem como uma só peça.
Independentemente das três gerações que os separam, a pureza de estilo persiste.
Recordo Mestre David nos anos 60, os anos da mudança e da rebeldia, na Cultura e em todas as artes em geral.
Indiferente aos arautos da mudança, Mestre David Ribeiro Telles, dava-nos uma lição de " bem cavalgar a toda a sela" de cada vez que entrava em praça. (...)
(...) Só os "Ribeiro-Telles" nunca chegaram a extinguir-se para, mais tarde, renascer.
Esses foram sempre o "clã", sempre iguais a si próprios, sempre Centauros.
A Alternativa do "último João" foi disso prova.
Todo o Campo-Pequeno engalanado de Ribeiro-Telles, como uma repetição de imagens no espelho do Espaço e do Tempo, até ao infinito.
O estilo puro de Mestre David manteve-se. (...)

In, Revista Equitação, Edição Setembro/Outubro 2008, " Dinastias e Clãs", por, Dra. Antonieta Janeiro


"HÁ COISAS FANTÁSTICAS, NÃO HÁ?"


Foi mesmo uma noite "eclesiástica", "cor-de-rosa", "pedagógica" de grande paixão "clubista" e "cinéfila", a de 4 de Setembro. Foram várias as vertentes que encontrei, na minha viagem de regresso a casa, sozinho, rememorando o que acabava de assistir na noite memorável, mais uma vez, na (de novo) Praça de Toiros (e não centro de lazer) do Campo Pequeno. Eclesiástica porque na Catedral do toureio a cavalo evoluiu o Patriarca (assim chamado pelo sínodo da aficion portuguesa) rodeado pelos seus "Bispos" e do "Diácono", daí a pouco elevado a "Presbítero", quais missionários para trazerem a verdadeira palavra do toureio a cavalo montado português.

Esta sim, à semelhança de uma outra de há dois anos, foi a verdadeira palavra do Toureiro. E todos os aficionados no final, disseram: Ámen! Noite cor de rosa, não pela presença das revistas denominadas dessa cor e da sua mediatização, mas sim, pelo facto de naqueles sete sectores, camarotes e galerias completamente esgotados, todos se terem reunido, sem distinções de classes, numa manifestação inteiramente popular, solidária, entregue e comovida com as palmas (não palminhas de acompanhamento) e as ovações sinceras.
Noite pedagógica, porque d a "Universidade da Torrinha" o Reitor trouxe os seus Catedráticos para verdadeiras lições.

De frente e recto ou à tira de sabor antigo. Sem martingalas. Sem sangue nas barrigas das montadas. As pernas cingidas e as mãos esquerdas escondidas, recolhidas e sem estapafúrdios no pedido de aplausos fáceis. Apenas e só uma compreensível gamarra. Todos bem areados, equilibrados, inclusive com rabicheiras. Não houve necessidades de quiebros, de piruetas, de cavalos a ajoelhar e outros subterfúgios circenses ou taurinos. Tudo foi simples, real, verdadeiro e adequado. Houve Senhorio, Educação, Valor, Simplicidade, Determinação, Garra e Humildade. De grande paixão clubista, porque os que gostam do verdadeiro e genuíno toureio à portuguesa disseram: Presente! Já não estou a contar com os muitos que não conseguiram ingressos e dos milhões que acompanharam via televisão. E fora aquela praça um estádio todos teriam um cartão de sócio com os dizeres: Pessoal e Intransmissível.

O que se viu também o é. Até mesmo os que são "sócios" de outros clubes, estou certo, se resignaram, entenderam e aceitaram. Não há outro remédio. Aquela é mesmo a equipa campeã. A que melhor joga (leia-se toureia), a mais regular, a que chega ao fim no topo. Porque aquela performance não está ao alcance de todos. Noite Cinéfila porque à Sétima Arte se vem juntar aquela que eu considero a primeira das primeiras Artes. O Toureio é a mais bela das artes! E todos vão querer o filme deste espectáculo para sempre, e não mais tarde, recordar. A conclusão que tiramos deste "filme" é que afinal, sejam quais forem os actores, seja qual for o realizador, a lotação está esgotada. Seja qual for o êxito, os Óscares não são para os melhores protagonistas.

Isso pouco importa se realmente os espectadores saíram contentes, como foi o caso, e de coração aberto. Tão abertos esses corações aficionados que nem foi preciso nenhuma porta fácil para os Artistas, Protagonistas, Cavaleiros e Toureiros saírem. A grandeza é superior a qualquer portinhola emperrada. Recupero, para terminar, uma frase diária que dá entrada nas nossas casas, que se coaduna na perfeição: Há coisas fantásticas, não há?

 

 

In, Revista Novo Burladero, Há coisas fantásticas, não há?", Edição de Outubro de 2008, por Raul Caldeira