LANÇAMENTO DA FOTOBIOGRAFIA DE ANTÓNIO RIBEIRO TELLES EM VILA FRANCA DE XIRA

15 de Outubro de 2009

Praça de Toiros Palha Blanco

Dia 7 de Outubro foi apresentada a Fotobiografia de António Ribeiro Telles em Vila Franca de Xira, com as presenças da Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, de Fernando Palha e de António Ribeiro Telles. O evento teve lugar nas arcadas da praça de touros "Palha Blanco", com a participação de vários sectores do mundo taurino e aficionados da cidade.

A Presidente da Câmara Municipal abriu a cerimónia, fazendo questão de sublinhar o prazer que era apresentar o livro na cidade berço do cavaleiro. A autarca considerou que para Vila Franca era uma satisfação especial ter António Ribeiro Telles como seu natural, bem como toda a família que directa ou indirectamente tem relações com o concelho. Uma família de gente boa e de grande preponderância na vida de Vila Franca de Xira, sublinhou. Referiu a sorte do cavaleiro por ter crescido e vivido no campo, em liberdade e em contacto com o mundo rural e a criação de gado, o que certamente explicará o amor que António sempre sentiu por esse universo e que o fez não querer ir para a escola quando chegou a idade para isso.

Maria da Luz Rosinha lembrou o papel importante que a mãe do cavaleiro teve na sua educação, baseada nos valores da união da família e da partilha com os de menos posses. Referiu o pai, Mestre David Ribeiro Telles, afirmando que foi para ela, e certamente para a maioria dos aficionados, uma referência das praças portuguesas, pedindo que se lhe fizesse chegar o sentimento de enorme respeito por quem é e por aquilo que representa no universo da tauromaquia. A educação, o exemplo familiar e a qualidade do património genético do cavaleiro, são, na opinião da Presidente de Câmara, os principais motivos que predestinaram o cavaleiro ao rumo profissional que tomou, e que exerce com grande talento, maestria, mas também humildade. No seu discurso destacou ainda, no percurso do cavaleiro, o nome de um Alhandrense que foi um grande contributo para o sucesso de António, pedindo uma salva de palmas para aquele que foi um seu fiel bandarilheiro: Ludovino Bacatum.

A finalizar, a Presidente da edilidade fez votos para a continuação de grandes sucessos na carreira de António Ribeiro Telles e desejou, citando o seu pai: "Que Deus Reparta Sorte!"


Transcrevemos o discurso do Ex. mo Sr. Fernando Palha, dessa mesma tarde.


Com um "abraço" ... António!


Quando me indicaram, a ser eu a pessoa exacta, para fazer a apresentação do teu livro enganaram-se, não sou certamente, por que já estou velho e porque sou muito teu Amigo!
Os verdadeiros amigos, perdoam tudo, compreendem tudo, dão tudo!
Sou tão " Teu Amigo" e tenho-te dado tão pouco!!
A vida às vezes é assim!
Para te apresentar a ti, e ao teu livro, já não faço falta; toda a gente te conhece!
Chamas-te António e és de Vila Franca!
- Já lá vai longe esse dia de 14 de Maio de 1963, em que no Hospital da Misericórdia, de que teu Avô António era na época Provedor, tua Mãe deu entrada, para que tu pudesses também, ter entrado para o mundo!
Esse grande Médico, esse Santo dos Pobres e dos Doentes que se chamou Dr. Luis César Pereira, iniciou na sala de partos, a "lide" para o nascimento de um toureiro, de mais um dos 11 filhos que a tua Santa Mãe quis oferecer a Deus!
Na sala de espera, algumas pessoas ansiosamente aguardavam noticias... que tardavam, que não vinham...
De quando em quando, surgia o Dr. Luís para acalmar os espíritos dos presentes, mas as "explicações" eram curtas e preocupantes... Os trabalhos eram difíceis, e tu não querias vir ao Mundo!
Logo de início já não querias vir para a escola!...
Durante esse tempo, todo esse tempo, a tua Mãe heroicamente "roía" a bainha duma toalha suportando as dores, dizendo baixinho:
Jesus, Jesus, aí Jesus!!!
Isto foi contado por alguém, que assistiu, que quadjuvou a "lide" que viu, e ouviu!!
Na sala de espera, teus Avós ansiosos aguardavam noticias.
A tua Avó Emília, chorava e rezava com a cabeça entre as mãos, o teu Avô António, austero e preocupado, observava em silêncio...
Mas " não há quinto malo"!
Subitamente surgiu o Dr. Luiz, com a bata suja de sangue!
" A cornada era grande, mas tinha nascido um Homem!" ele Doutor tinha de voltar para dentro rapidamente, pois a Belhota sofria grande hemorragia, era necessário estancá-la!
Seguiram-se momentos difíceis, dolorosos, preocupantes para a Mãe, para o Médico, para todos!
Mas... depois da tempestade, vem a Bonança, e com ela, o baptizado!
O menino, chamar-se-ia António, pelo Avô, e de Jesus, pois que era Aquele que do Céu, acudira aos chamamentos de socorro feitos pela Mãe, "quando roía a bainha da toalha" em tormentos de parto!
Não és nem pior nem melhor, és diferente; nasceste em Vila Franca! És de Vila Franca! - Terra de toureiros, Terra de forcados, Terra de campinos e varinos, Terra de Doutores e Lavradores!
Vila Franca, Terra de toiradas e largadas; de esperas, e quimeras sonhadas, e por vezes realizadas!
Vila Franca, de Terras gratas no dar pão, e por vezes ingrata na razão e no coração!
De qualquer modo, é o teu berço: o berço aonde no seu extremo, nas Areias, nascera também anos antes, a Senhora Tua Mãe.
Foi aqui em Vila Franca, na velha escola Afonso de Albuquerque que ela estudou o curso dos liceus.
Foi aqui, no Fortes que mandou fazer os seus primeiros botins para montar a cavalo!
Foi aqui, no Horta que mandou "cortar" a sua jaqueta à portuguesa, a sua camisa na Mariana, o seu chapéu no Porfirio!
Passou o Tejo nos barcos do Zé Borrelha e da Susana; no Liberdade, no Campino, no Norte-Sul; a caminho de pancas, de Samora... da Torrinha!!!
António, tens a responsabilidade enorme, de ser o "traço de união" entre Vila Franca e Coruche.
As duas e Mesma Senhora do Céu, a do Castelo e a de Alcamé, a grande Senhora Nossa te tem protegido, nos Pais que te deu, na Esposa que escolheste, nos filhos que já nasceram!
António, não transijas no teu modo de ser, de querer, e de estar dentro e fora da Praça!
Ser toureiro, como dizia Guerrita: " dos horas en la plaza, e 22 fuera!".
António, que te vistas sempre de toureiro sem usar "t-shirts" como camisa; que uses sempre tricórnio, para poder saudar o público, ou poder agradecer dele os aplausos!
António, que saibas fazer as "cortesias" sem voltar as costas ao público!
Cuidado António, que o público é sempre o teu melhor e pior amigo e inimigo...
Nunca lhe voltes as costas!
Com qualquer destes "dois rostos" o público é quem paga o bilhete, e quem dá a "glória" ou quem dá a desgraça...
António não te esqueças nunca:
"Que mais vale cair em graça, do que ser engraçado!
O público sabe apreciar, mas o público é cruel no seu apreço, ele é o juiz.
António, nunca desprezes o toiro na praça; ele é sempre o teu comparsa. Mesmo manso tem o seu toureio; e quando sai muito bravo é terrível, e um terramoto!
António, aceita os aplausos de cara levantada, alegre e simples, aceita António de cabeça curvada e discreta, os apupos quando merecidos e quando eles vierem... não desistas nunca!
António, não maces o público; ele é público, é como as senhoras, não gostam de ser maçadas! São assim!!! O público também o é!
António, que te poderei desejar mais? Que nunca, dentro e fora da praça, faças o papel do palhaço, rico ou pobre!
"Mas por mal, nem cadeia, nem hospital!"
António, que sigas sempre a vida, de caras e à portuguesa e à noite, quando fechares os olhos para dormir, a Tua Mãe, lá do Céu, te possa dizer:
" António, tudo certo Querido!!! ... "

Amem, António!
Tio Fernando Palha