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A paixão pelo Toureio a Cavalo segundo António Ribeiro Telles
(...) Mais um 15 de Agosto para recordar nas Caldas da Rainha.
Quem tem ideia de que o Toureio a Cavalo à Portu guesa é monótono, desengane-se.
A actuação de António Ribeiro Telles no quarto da tarde foi um autêntico tratado de tauromaquia num só volume. Porque cada toiro tem a sua lide, o Toureio a Cavalo só perde a "chama" quando se toureiam todos os toiros da mesma maneira.
Actualmente está de moda, mas não foi o que aconteceu.
Depois do intervalo, saíu à arena um "Coimbra" gazapón, que nunca se empregou, andando sempre a chouto ao lado das montadas.
A verdade é que o Maestro, sim o Maestro, como o foi João Branco Núncio e poucos mais, obrigou os aficionados a olhar com atenção constante e redobrado interesse para o que se passava no redondel.
Para se captar, aprender e desfrutar.
A solução que António Ribeiro Telles encontrou para superar as adversidades do toiro não está ao alcance de qualquer um.
Só um toureiro curtido como o da Torrinha o poderia fazer. Deu gosto vê-lo.
Logo de saída, montado no Xairel, os três compridos que apontou foram belissimos, com o cavalo a consentir muito a investida.
Seguiu-se um curto, junto aos curros, que deixou patente as enormes capacidades do ruço com ferro Oliveira Martins. Entretanto, António foi buscar o Rondeño.
E aí surgiu a lição.
Como um dia escreveu D. Bernardo da Costa (Mesquitella) sobre Mestre João Branco Núncio, eu subscrevo o mesmo em relação ao Maestro António Ribeiro Telles: " Há duas espécies de toureiros, o bom toureiro e o que toureia bem. O bom toureiro é o que conhece o sítio de todos os toiros; o que toureia bem, é aquele que conhece os toiros só em certos sítios. Um sabe o que faz; o outro, faz o que sabe ".
A defenição parece-me brilhante.
O toiro perseguia o cavalo à distância, em círculos concêntricos, por dentro sem se empregar.
Á medida que o cavaleiro reduzia a velocidade, o toiro seguia-lhe o ritmo. E quando o cavalo parava, o toiro imitava-lhe o gesto.
Foi isso que António captou, entendendo na perfeição as características do oponente.
Nas duas primeiras bandarilhas, deixou-o parar nos tércios e com a garupa do Rondeño encostada às tábuas, muito em curto, atacou de dentro para fora, desenhou as sortes com domínio e reuniu com impacto.
Como se fosse simples! É certo que a segunda destoou das restantes, mas a forma como a tentou executar teve muito valor.
Daí para a frente, desvendado o segredo dos terrenos e das distâncias, seguiram-se mais três curtos de lei, a encerrar mais um 15 de Agosto para recordar nas Caldas da Rainha.
Mas para a memória fica também a actuação de António Ribeiro Telles com o primeiro da corrida.
Logo com os compridos deu para ver ao que vinha . O seu primeiro toiro investiu atrás dos cavalos, mas esperava muito por diante.
Montado no opium os ferros de castigo foram em crescendo, deixados no morrillo do antagonista no espaço de uma moeda.
Depois com o Santarém, o que faltou ao toiro pôs o toureiro. Entrar mais à cara de um toiro é impossivel. E de que forma o Maestro o fez... Simplesmente, Tourear a Cavalo!(...)
In,Revista Novo Burladero, edição de Agosto, Nº 274 “A paixão pelo Toureio segundo António Ribeiro Telles “, por catarina Bexiga
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