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" As musas estiveram com o seguidor do Califa numa lide fantástica de António Ribeiro Telles "
(...) Não sei se os leitores acreditam nas musas do toureio a cavalo, mas eu, que estive lá e vi, posso garantir-lhes que na tarde de 4 de Outubro elas tiveram em Alcácer!
Ainda para mais, coincidências das coincidências, em plena praça de toiros João Branco Núncio, inspiraram (e de que maneira!) o mais fiel intérprete e seguidor actual da sua mensagem: António Ribeiro Telles!
Estou certo que esta minha prosa não conseguirá transmitir ao leitor o que se passou nesta tarde, mas os momentos vividos na lide do quinto toiro ficarão certamente guardados nas melhores memórias de quem teve a sorte de a eles assistir.
O verdadeiro toureio a cavalo, em todo o seu sentido, existe mesmo. É toda uma amalgama de sensações, entre a aflitiva angustia dos terrenos pisados, o ajuste das reuniões e o desbordado prazer por cada sorte consumada com êxito. Sem efeitos especiais.
Apenas toureio puro!
O momento crucial da corrida deu-se após o quinto de "Pégoras" ter saído à arena. Era um negro de córnea apertada que não devia muito à beleza nem evidenciou muita vontade de investir. António saiu no Poeta, preocupou-se desde logo em impor os médios ao toiro e brilhou numa segunda farpa comprida, desenhando uma tira ajustada e com imenso poder. Quando surgiu do pátio de quadrilhas montando o Santarém, saiu decidido a chamar a si um triunfo de lei.
O toiro continuava reticente em investir e António não se fez rogado.
Centrado entre os pitons do toiro, viajou com o cavalo em linha recta, obrigando-o a pisar terrenos muito difíceis para, só no ultimo momento, no instante que separa a glória da tragédia, abrir um leve quarteio para absorver a investida do toiro ao estribo, cravar de alto a baixo, sair limpo da sorte e rematar com desmedida toreria! Foi assim, com uma força expressiva impressionante, só ao alcance de um toureiro em absoluta plenitude, que a emoção e o toureio deram as mãos. António Ribeiro Telles consumou uma actuação impecável, entendendo o toiro de cabo a rabo em todas as fases da lide.
Ao primeiro curto a música arrancou em sua honra, o segundo esteve ao mesmo nível, ao terceiro a praça estava rendida, o quarto foi portentoso e no quinto chegou a euforia, com um toureiro roto e entregado, numa actuação que me atrevo a chamar sublime.
O VI troféu João Branco Núncio seguia de Alcácer para a Torrinha. Só assim podia ser!
Mas não se pense que a tarde de António Telles se ficou por aqui. Lidou com classe, ligação e profundidade o primeiro do seu lote, um toiro suavón com bom fundo, esmerando-se no desenrolar das sortes e complementando a lide com remates superiores e adornos com regusto de verdadeiro maestro! Tarde para recordar, esta de António Ribeiro Telles em Alcácer do Sal.(...)
In, Revista Novo Burladero, Edição Nº252, Novembro de 2009, " As musas estiveram com o seguidor do Califa numa lide fantástica de António Ribeiro Telles", por Carlos Martins
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