13 de Outubro de 2009

Toureio a cavalo!

" Toureio a Cavalo "

(...) António Ribeiro Telles atingiu um ponto de maturidade insuperável. Se diante do primeiro, que foi distraído e sem entrega, esteve poderoso e superou as adversidades com profissionalismo e correcção, frente ao quarto... abriu o livro. O livro não, a cartilha. Aquilo foi o Á-bê-cê do bem tourear a cavalo. O toiro foi sério e exigente, mas o maestro deu-lhe uma lide magistral de principio a fim, com uma ligação insuperável, mantendo o toiro sempre pendente do cavalo, interessando-o constantemente. Deu importância aos ferros compridos com o Poeta a recrear-se nas abordagens e nos remates, poderoso e toureiro. Depois, com o Rondeño cada vez mais adaptado ao conceito do cavaleiro, seguiram-se cinco ferros curtos admiráveis, ligados entre si por uma brega intencional e harmoniosa, sem tempos mortos nem alardes a despropósito, toureio puro, a que o toiro se foi submetendo, como que agradecido à forma como o maestro lhe extraia e lhe aproveitava as investidas. Uma verdadeira delicia, culminada com um ferro de palmo nos médios de poder a poder, portentoso.
António só pecou por modéstia ao contentar-se com uma única volta à arena. Aquilo foi de tal ordem, que não me parecia mal que ainda por lá andasse a dar voltas. As coisas sublimes têm que ter o prémio adequado! (...)

 

 

 

 

 

 

 

 


In, Revista Novo Burladero, Edição Nº251, Outubro de 2009, " Toureio a cavalo!", por João Queiróz