3 de Outubro de 2009

Critica Corrida de Gala á Antiga Portuguesa, por Patricia Sardinha

 

ROUXINOL VENCE
NUM CAMPO PEQUENO ESGOTADO
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Campo Pequeno, 1 de Outubro, 2009. Por PATRICIA SARDINHA
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(...)Foi o cavaleiro Luís Rouxinol quem se sagrou vencedor do troféu José João Zoio em disputa na última corrida de abono da temporada 2009 no Campo Pequeno, conquistando assim um lugar no cartel da corrida a realizar dia 15 deste mês. Com lotação esgotada, a praça de toiros do Campo Pequeno foi ontem, quinta-feira, a imagem de que a Tauromaquia vive apesar dos ataques anti-taurinos, apesar da crise. Mas será que vive com saúde?
Quando um é eleito para elemento de júri, penso eu, que essa escolha seja feita tendo em conta a sua sabedoria em determinado assunto, neste caso, o júri da corrida foram pessoas entendidas na matéria, cronistas/críticos, mas também se espera que esse júri decida com base na verdade e que se porte com imparcialidade. Não ponho em causa a vitória de Luís Rouxinol, o júri lá terá as suas razões para o ter escolhido e é facto que o público vibrou bastante com a actuação do cavaleiro de Pegões, o que me leva a crer que o júri pensará da mesma maneira e tem os mesmos gostos que os espectadores nas bancadas e dado que a vontade do povo é soberana, é melhor não se contrariar. Mas não posso concordar com elementos do júri que manifestam descaradamente durante uma actuação actos tendenciosos o que para mais, resulta em falta de respeito para com os outros cavaleiros. Sendo assim, venho aproveitar a minha crónica de hoje, para me oferecer à empresa do Campo Pequeno como elemento do júri em próximas corridas concurso que realizem, pois sou de longe tão entendida quanto os senhores que desta vez escolheram, mas modéstia à parte, sou por certo mais isenta e mais contida em público.
Mas indo ao que interessa e do pouco que posso relatar que não tenha sido transmitido pela televisão ou que não tenham assistido ao vivo na praça de toiros, resta-me partilhar o meu ponto de vista da corrida que voltou a esgotar o Campo Pequeno e que se iniciou com o belíssimo e bem organizado cortejo de Gala à Antiga Portuguesa, numa recriação das Touradas Reais do século XVIII.
Os toiros do Eng. Luís Rocha não corresponderam às expectativas deixadas pelo curro da mesma ganadaria presente o ano passado em Lisboa, no entanto e tendo em conta a mansidão que geralmente se vê nas nossas praças, dou nota positiva a este curro, ainda que de desempenho desigual, todos serviram, colaboraram e tiveram excelente apresentação.
Joaquim Bastinhas abriu a noite frente a um toiro com 568 kg bastante colaborador e contrariando o que se diz que abrir a corrida é sempre difícil porque o público está frio, o cavaleiro pôs literalmente o Campo Pequeno a arder, com uma actuação ao seu estilo, muito comunicativa e por vezes exagerada em gestos e atitudes, mas que ao longo destes 26 anos de alternativa têm feito a imagem de marca do cavaleiro de Elvas o que por si já tem mérito próprio.
António Telles teve uma das actuações mais bem conseguidas que lhe vi esta temporada, frente a um toiro com 558 kg que precisou sempre de estímulos para vir a mais e que o cavaleiro da Torrinha interpretou com uma actuação em que pôs voz, mando, sabendo escolher os terrenos, toureando (tão raro de se ver) e cravou como poucos. Para o toiro que teve em sorte foi sem dúvida uma lide de saber.
Rui Salvador teve pela frente um toiro com 562 kg que foi de mais a menos, faltando na hora da reunião, defendendo-se em tábuas, mas que o cavaleiro também não entendeu. Efectuou demasiadas passagens em falso muito por culpa das qualidades do toiro mas também porque o cavaleiro raramente fez por contrariar essas tendências. Poderia a actuação ter resultado melhor se aproveitada a rês de outra forma.
Luís Rouxinol não gosta de deixar os créditos por mãos alheias, ainda para mais quando há troféu em disputa e para além de aproveitar as qualidades do toiro que lhe tocou em sorte com 558 kg, aproveitou também o ambiente de Festa que se vivia nas bancadas para facilmente estabelecer conexão com o público através de um toureio suplementar em que adornos, recortes e piruetas foram base, impingindo por vezes celeridade. No entanto pôs as bancadas em polvorosa e isso, pelos vistos, é que interessa. Deu duas voltas.
Paulo Jorge Santos veio a Lisboa para a sua única actuação esta temporada em Portugal e apesar de já contar com três anos de alternativa e ter uma temporada marcada por alguns triunfos em Espanha, era aquele que o público menos conhecia e que de algum modo teria de justificar a sua presença, mas não convenceu. Frente a um toiro com 604 kg, desencastado, que se refugiava em tábuas, o cavaleiro esteve voluntarioso, fazendo por sacar a rês das querências, chegando inclusive a ser apanhado pelo toiro, cravou como pôde e pouco mais fez, com uma passagem discretíssima por Lisboa.
Tiago Carreiras, o cavaleiro praticante que esta temporada deu que falar, é uma promessa esgotada com o forte número de contratos que lhe surgiram e também pressionado pelos sucessos que o precedem. Teve em sorte um toiro com 534 kg que custava a fixar-se e que o cavaleiro não entendeu totalmente, precipitando-se, evidenciado nervosismo. Sem o famoso Quirino para lhe aliviar a tensão, o cavaleiro não bisou a sorte que teve em Agosto nesta mesma praça.(...)

NOTA DE LA DIRECCION DE NATURALES
Por si a alguien le cupiese la menor duda, compartimos plenamente todo lo expuesto en su crónica-análisis por nuestra subdirectora Patrícia Sardinha, muy singularmente lo referido al asunto de los jurados y la elección de triunfador de la corrida, asi como algunos "comportamientos" evidenciados y por ella valientemente significados. Compartimos los criterios de nuestra valiosa subdirectora y excelente crítico taurino que es. La Tauromaquia está como está, pero no por ello deberemos callar y mucho menos "tragar".
Como bien se desprende de la crónica-análisis -siempre tan leída y seguida- de nuestra subdirectora y de lo que nosotros mismos escribimos en la crónica de alcance de horas atrás, de la corrida de anoche en Lisboa hay momentos de verdadero Toreo (el de António Ribeiro Telles) que no pueden ser pasados por alto, ni mucho menos ignorados. Hay -entre otras cosas- tres banderillas del maestro de A Torrinha, ante un toro muy complicado, que son para lanzarle el sombrero al torero en su vuelta al ruedo... Hagamos nosotros la justicia que otros no se atrevieron a hacer, sin que por ello restemos méritos a la actuación -sin duda menos ajustada a cánones, mas folklórica- de Luis Rouxinol. - EUGENIO EIROA
Publicado por NATURALES, CORREIO DA TAUROMAQUIA IBERICA. en 20:56

In, "tauromaquianaturales.blogspot.com/2009/10/la-corrida-de-lisboa-el-analisis-en.html, ",acedido no dia 03.09.09 ás 13h09m