CRITICA CAMPO-PEQUENO - NOVO BURLADERO

" António Toureou a cavalo, Rouxinol levou o troféu! "

(...) A corrida teve um único ponto de elevado interesse: a magnifica lide de António Ribeiro Telles ao segundo toiro, um animal que destoou do conjunto, de presença menos volumosa, um manso complicado que passou todo o tempo que esteve na arena a raspar e de cara em baixo, dando depois investidas desconcertantes, rápidas e violentas, difíceis de controlar.

Com tal matéria António deu lição magistral, aliando o mais puro conceito da lide à mais insofismável verdade na realização e concretização das sortes. Os três compridos foram cumpridos à tira com o Opium, seguindo-se depois o recital com o Santarém.

Muito concentrado nos cites, não se incomodando com o desagradável defeito patenteado pelo toiro, levou-o pelo lado esquerdo para os terrenos ideais, não deu muita distância ao manso para o interessar mais, viajou com frontalidade, "entrou pelo toiro dentro" e cobrou ferros de grande nível.

Apenas o quinto baixou de tom, pois mudou os terrenos ao toiro, e apesar de o citar desta vez a favor da querença natural, o manso não se moveu, defendendo-se em demasia e o Santarém mão lhe pôde vencer o pitón direito, atravessando-se no momento da reunião.

Se no melhor pano cai a nódoa, logo de seguida fez questão António de a apagar da retina dos que não perdoam lapsos, rematando a sua brilhante lide com mais um ferro, o sexto, portentoso, com o cavalo todo arredondado no momento da verdade para receber com domínio o derrote do toiro, repondo de imediato as coisas no seu devido lugar.

Foi bonito de se ver! (...)

 

 

 

 

 

 

 

In, Revista Novo Burladero, Edição Nº252, Novembro de 2009, " António toureou a cavalo, Rouxinol levou troféu!", por João Queiróz